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Estrutura financeira Havan

Como a Havan cresce enquanto o varejo brasileiro sangra

O FIDC é o que separa quem pode baixar margem de quem quebra tentando

Material de estudo Role para ler
Abertura
R$ 18,5 bi Faturamento em 2025
+16,1% Crescimento da Havan
menos de 3% Crescimento do varejo

Em 2025, a Havan faturou R$ 18,5 bilhões e cresceu 16,1%. Esse crescimento fica ainda mais impressionante em perspectiva com o crescimento do varejo brasileiro que avançou menos de 3%. A empresa cresceu muito mais que o mercado, o que significa que ganhou market share.

Num ano de dólar alto e o preço do frete disparando, a margem bruta da rede de lojas de Brusque diminuiu, saindo de 40,9% para 38,9%.

A varejista conseguiu bancar os custos mais altos de frete e dólar sem repassar no preço de seus produtos ao consumidor, priorizando manter o volume de vendas. E isso não é fácil de fazer sem machucar o balanço.

Boa parte dessa capacidade de enfrentar cenários turbulentos e sair mais forte está relacionada a forma como a empresa estrutura seu balanço. Ela conta com uma estrutura financeira estratégica: um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FIDC.

No decorrer deste case vamos te explicar como funciona essa estrutura e como ela colaborou para a HAVAN ter excelentes resultados, bem acima da media do varejo brasileiro num ano difícil e como ela gera robustez para o plano de Luciano Hang de chegar a 500 lojas.

01

A decisão de Reduzir Margem

O dólar e o frete subiram no começo de 2025 e encareceram a mercadoria que chegava nas prateleiras. A Havan importa 8% das suas compras diretamente, o suficiente para o câmbio pesar no custo do grupo. A empresa tinha dois caminhos: Repassar esse custo para a etiqueta e proteger a margem, ou segurar o preço e abrir mão de um pedaço dela para não afastar o cliente. A Havan escolheu segurar o preço e reduzir a margem para manter o cliente indo à loja.

A escolha se provou um sucesso! Enquanto o varejo sangrava, vendas feitas em "mesmas lojas" cresceram 14% no ano, o que quer dizer que as unidades já existentes venderam mais, sem a ajuda de lojas novas.
O fluxo de clientes teve uma alta de 7%, chegando a 190 milhões de visitasO ticket médio subiu 8,3%, para R$ 275. Mais gente visitando as lojas e cada pessoa que passou por lá deixou mais dinheiro. 

Vendas em mesmas lojas +14%
Visitas de clientes no ano  +190 milhões
Tíquete médio R$ 275
02

A loja que virou destino

Parte do mercado que a Havan ganhou não veio de preço, veio de posicionamento. As 184 lojas da rede têm praça de alimentação e estacionamento gratuito. No interior do país, elas ocupam um espaço que quase nenhum concorrente disputa: o do shopping da cidade. A loja deixa de ser ponto de compra e passa a ser programa de fim de semana para a família.

O cliente entra pela experiência e sai com a sacola cheia. A Riachuelo cresceu 9% no ano. A Havan cresceu quase o dobro. Um destino sustenta o volume de vendas melhor do que uma vitrine, e é isso que mantém a base de clientes quando a margem aperta.

Riachuelo em 2025 +9%
Havan em 2025 +16,1%
Lojas na rede 184
03

Por que a Havan pôde ceder margem sem se machucar?

A demonstração de resultado não explica sozinha o que aconteceu aqui, e é neste ponto que o FIDC entra.
Ceder margem bruta num ano de câmbio ruim só não machuca a empresa que não está presa, ao mesmo tempo, a uma carteira de clientes inadimplentes e a dívidas caras com bancos tradicionais.

A Havan não está presa a nenhuma das duas, e o motivo é uma estrutura que opera por fora do balanço.

Toda vez que a Havan vende um produto de R$ 1.200 em 12 parcelas de R$ 100, ela não recebe R$ 1.200 à vista. Ela recebe um direito de receber, um direito creditório, que se realiza ao longo de 12 meses. 

O problema é que estoque, aluguel e folha não esperam 12 meses. É por isso que o varejo antecipa recebíveis. E quando antecipa em banco, paga deságio por isso. Esse custo não aparece na margem bruta: entra como despesa financeira e come o lucro líquido.

Havan não deixou de pagar esse custo de antecipação. Ela mudou quem recebe.

O grupo estruturou um FIDC próprio. A loja vende os recebíveis para o fundo em cessão definitiva (risco transferido, sem coobrigação) e o fundo é capitalizado pelo próprio controlador. O deságio que antes saía do grupo e virava receita do banco agora sai da operação e vira receita do cotista. O custo continua existindo. Mas agora, vira receita para o acionista em outra estrutura - isenta de IR até o resgate. 

E existe um segundo efeito, estrutural: cessão definitiva não é dívida. A operadora não capta, ela vende um ativo. Recebível sai, caixa entra. Sem linha de empréstimo, sem covenant, sem alavancagem contábil. 


Como o recebível sai do balanço
Passo 1 Clientes Carteira de parcelas a vencer
Passo 2 Havan FIDC Compra a carteira e cobra deságio
Passo 3 Havan recebe do FIDC Caixa entra à vista com deságio

O deságio vira despesa financeira, dedutível de IRPJ e CSLL 

Dívida líquida − R$ 706,1 mi R$ 1,25 bi em caixa contra R$ 547,2 mi de dívida bruta
ROIC 15,6% → 21,2% Retorno sobre o capital investido em um ano
Prazo médio de recebimento 47 → 44 dias Liberou R$ 332,7 mi de caixa no trimestre

A rentabilidade tem uma segunda leitura. Sem o custo do próprio FIDC e sem o efeito dos impostos, a margem líquida do trimestre sobe de 8,6% para 13,1%, o mesmo patamar do ano anterior. A rentabilidade da operação não encolheu. 

MARGEM LÍQUIDA 1T26- AUDITORIA INDEPENDENTE 
8,6%
Reportada 1T26
13,1%
Ajustada 1T26

Do lucro reportado ao ajustado: neutralizando o custo do FIDC e o efeito fiscal, a margem líquida do 1T26 vai de 8,6% para 13,1%.

Fundo desta seção — clique para trocar pela foto da Havan
04

Primeiro Trimestre 2026 em números

vs. 1T25
Receita bruta R$ 4,56 bi +18,7%
Lucro líquido R$ 285,4 mi +12,9%
Margem líquida reportada 8,6% (8,9%)
Margem líquida ajustada 13,1% (13,1%)
ROIC 21,2% (15,6%)
Dívida líquida negativa em R$ 706,1 mi
Prazo médio de recebimento 44 dias (47)
Megalojas abertas no trimestre 3

O câmbio e o frete comprimiram a margem.
Numa empresa alavancada, ceder margem nesse cenário força uma escolha: cortar expansão ou tomar dívida cara.
A Havan não precisou escolher. Bancou novas lojas com o próprio giro que o fundo devolve, não em dívida com banco tradicional.

Traga para a sua empresa
Todo mês sua empresa paga para antecipar o que já vendeu. Esse dinheiro sai da sua operação e vira receita de banco.
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A Somos Valor estrutura esse caminho.
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O fundo cresceu junto com a ambição

O patrimônio do FIDC Havan saiu de R$ 323,1 milhões em setembro de 2018 e chegou a R$ 3,52 bilhões no fim do primeiro trimestre de 2026, um crescimento de quase 11 vezes em pouco mais de oito anos.
Alguns aportes de capital acompanham os diferentes momentos da empresa e financiam sua estratégia: R$ 290 milhões em março de 2020, na largada da pandemia, R$ 100 milhões em 2024 e R$ 150 milhões em 2025.  

Patrimônio líquido do Havan FIDC
R$ 323,1 mi
FIDC — jan/2018
R$ 3,52 bi
FIDC — 1T26

Patrimônio líquido de um FIDC é o valor dos direitos creditórios adquiridos pelo fundo, seu caixa e investimentos, menos as obrigações do fundo. Até o primeiro tri de 2026, o capital aportado soma R$ 1,4 bilhão.

R$ 290 mi mar/2020
R$ 100 mi 2024
R$ 150 mi 2025
R$ 1,4 bi Aporte acumulado
06

A estrada até 500 lojas

2025 foi um ano em que a Havan reduziu o ritmo.
Com o balanço saudável, a decisão agora é voltar a crescer com força. Quando a rede chegar às 200 lojas, a meta sobe para 300, e Luciano Hang enxerga espaço para até 500 lojas no Brasil. Hoje com 184 unidades, faltam 16 para o primeiro degrau dessa escada.

O primeiro trimestre de 2026 já mostra a retomada: 3 megalojas abertas em três meses. Com estrutura financeira montada para crescer do jeito certo, somada a competência do grupo, ninguém duvida dessa meta.

184 hoje
+16
até 500 lojas

Você provavelmente fatura
menos que a Havan

Traga para a sua empresa

Porém, pode construir uma estrutura igualmente eficiente e adequada ao porte da sua empresa, obtendo ganhos maiores frente à sua operação atual, montando uma estrutura financeira estratégica - que pode não ser um FIDC.

Eles usam um fundo para antecipar fornecedores.
Um fundo para comprar recebíveis das lojas.
Estrutura de fundo imobiliário próprio para expansão de lojas.  

A vantagem que a Havan colhe hoje levou oito anos para ser construída. 

Somos Valor Comece aqui a construção da sua
Estrutura Financeira Estratégica.
Fontes

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Informes mensais de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC). Rio de Janeiro, 2026. Disponível em: https://dados.cvm.gov.br/dataset/fidc-doc-inf_mensal. Acesso em: 16 jul. 2026.

HAVAN S.A. Demonstrações financeiras intermediárias em 31 de março de 2026. Brusque, SC, 2026. Disponível em: https://ri.havan.com.br/servicos-aos-investidores/resultados/. Acesso em: 14 jul. 2026.

ARBEX, Pedro. Havan fatura R$ 18 bi, cede margem mas ganha share. Brazil Journal, São Paulo, 19 fev. 2026. Disponível em: https://braziljournal.com/havan-fatura-r-18-bi-cede-margem-mas-ganha-share/. Acesso em:6 jul. 2026.